Sábado, Abril 04, 2009

Eu também tenho o pior cão do mundo


Ele não faz nada do que se lhe diz, ele salta-me a mim e ao Bernardo e foge quando deixamos o portão aberto, o que faz com que tenha de passar mais tempo preso do que aquele que seria estritamente necessário. ele suja tudo a toda a volta e ladra imenso de noite, sem motivo nenhum, e com isso consegue acordar todos os cães da vizinhança e começa um verdadeiro concerto que às 4 da manhã não é muito agradável. ele come muito, imenso e destrói os sacos que ficam lá fora, ele já tem uns 6 anitos e não há forma de acalmar, não pára um segundo e quando vamos com ele à rua não somos nós que o passeamos, voamos agarrados à trela. ele morde-nos os braços e arranha-nos as costas e as pernas e tudo o que estiver ao alcance dele. toda a gente tem medo dele à partida e a catarina acha que ele é um lobo, o guilherme, que avançou sem medo, foi impiedosamente atirado ao chão. ele foge quando o chamamos e percebe quando vai ser preso e por isso ficamos tempos a correr atrás dele quando o vamos prender. ele cava, faz buracos e cria carreiros na relva de tanto correr sempre no mesmo sítio e salta aos pinheiros e come os passarinhos que faz cair do ninho com os seus saltos malucos. 

Ele é tolo, palerma, brutamontes, mas é o nosso cão, que nós adoramos. Que gosta de nós sem pedir nada em troca, que nos lambe até não poder mais quando nos vê e sossega no nosso colo no fim de uma brincadeira, que semicerra os olhos de prazer quando lhe fazemos festinhas na cabeça. Ele ficou um autêntico peluche na mão da Carolina, tão pequenina, que lhe fez tantas festas e se deliciou com ele, e ele deixou e foi calmo e sossegado com ela. Serafim, o nosso Serafim que irá certamente deixar saudade quando partir. 
Hoje fui ver o Marley, o so called, pior cão do mundo. Já tinha lido o livro e levei o Bernardo a ver o filme que ele queria tanto. E gostamos, gostamos mesmo. E se chegamos a alguma conclusão foi que temos de amar o nosso cão enquanto ele vive e brinca, saudável junto a nós. Não faz mal que ele seja o pior cão do mundo. É nosso, e isso faz dele, o melhor.

2 aplausos:

Vanessa disse...

Oh Gui, vi anteontem esse filme. Sabes aquelas maria-madalenas a chorar como se não houvesse amanhã? Era ver-me assim, no meio dos lençois a soluçar, perdidamente. Fui logo abraçar o meu cãozinho quando acabou.
Não vou dizer que tenho pena de quem não tem um cão, mas que gostava que todos sentissem o que é ser amado incondicionalmente, assim, do jeito que eles proprios têm de o fazer, gostava. porque todos mereciam.

Adorei o filme!

cosupe disse...

Guigui, que lindo texto escreveste sobre o nosso cão! é o seu melhor retrato.
Tenho a sensação que não lhe temos dispensado o tempo e o carinho que ele nos merece. Mas estamos a tempo de partilhar mais do nosso tempo com ele. Todavia, já és incansável com ele. E muito carinhosa e paciente.
Ele estará muito tempo connosco!
beijinhos.