Sexta-feira, Outubro 26, 2007

The Outsider


É estranho para mim estar outra vez cá. Estranho de uma forma estranha. Porque a ideia que tenho é que nunca daqui saí. E depois ouço falar de Barcelona, penso nos amigos de lá e lembro-me que aquilo existiu mesmo. E leio a Vanessa a dizer que vai lá ficar de fim de semana e a Mia a dizer que vai receber "visita" e penso cá para mim que o mundo afinal só mudou para mim. Assim radicalmente. E mudou porque eu realmente estive fora. Parece-me uma realidade paralela agora que estou de tal forma encaixada nesta vida. Estranho como demorou tanto a adaptação lá e bastaram uns diazinhos para voltar cá e voltar à vida de antes com toda a normalidade. Noto mudanças quando olho para o meu grupo de amigos da altura de cá e vejo que se desfez, que cada qual seguiu caminhos separados, cada qual com os seus amigos. Quando vejo tantas caras que não conheço por cá, quando por vezes ainda me sinto um bocado outsider, como se a qualquer momento todos estivessem à espera que eu voltasse para lá e deixasse de deambular pelos corredores desta faculdade. É estranho quando eu sinto que nunca daqui saí e os outros sentem que eu regressei. E no fundo aprecio imenso as pessoas que nunca souberam que eu fui. Felizmente já passou a fase de dar explicações sobre o meu regresso a toda a gente que me perguntava "estás cá?". Gosto quando reencontro pessoas que já não via desde a escola e que me perguntam que é feito de mim, e há tanto tempo e eu apenas tenho de dizer estou na feup sem ter de explicar porque terei eu cometido a incrível insanidade de me vir embora daquele curso e daquela cidade. Acho que a maioria das pessoas pensa que eu sou uma palerma por ter feito semelhante atrocidade mas são demasiado educadas para mo dizer.

Às vezes, assim só às vezes, sinto-me tal e qual como a música dos Police:

"Oh, I'm an alien, I´m a legal alien, I'm an englishman in new york"

Segunda-feira, Outubro 22, 2007

Epílogo

Querida avó:

Regressei agora da terra dos coiotes. Não foi por um bom motivo, mas fez-me regressar e só por isso já tem valor. Nunca esperei só te voltar a ver nos últimos dias da tua vida. Quando a Sra.Razman me ligou senti o meu coração parar. Receei chegar tarde demais. De certa forma cheguei mesmo tarde demais, nunca devia ter partido, não da forma como o fiz. Li agora as tuas cartas, todas, de fio a pavio. O Buck está aqui ao meu lado, oscila entre a tristeza profunda e a vontade louca de me lamber. Já nem me lembrava como tinha saudades dele. Calcei as tuas pantufas e vim até aqui, à mesa onde sempre escrevias. Lá fora neva. O jardim morreu contigo, a vida desta casa também. A única coisa que conforta é o cheiro que emana do forno, o bolo de chocolate a cozer naquela velha e ainda um pouco enferrujada forma. Li na carta mas não tinha sido preciso. Lembro-me com toda a nitidez desse particular epsiódio, lembro-me do cheiro do bolo e do seu sabor misturado com as minhas lágrimas salgadas de profunda dor ao aperceber-me que te ia perder um dia. Hoje é esse dia. Sinto-me só neste mundo. Sei que tenho um pai algures pela Turquia, mas isso não me traz qualquer conforto. Não criei raizes em lado nenhum, nem aqui, nem na América, não tenho amigos, nem namorado e o único ser à face da Terra que nutre carinho por mim é um cão velho que não deve tardar em seguir-te. Afastei toda a gente de mim com a minha arrogância e prepotência, com a tal couraça como tu lhe chamas. No entanto, depois de ler as tuas cartas, algo se alterou dentro de mim. De facto, perceber de onde vimos ajuda-nos a saber e a decidir para onde vamos. Foi com estranha cumplicidade e compreensão que li tudo o que passaste nos teus tempos de juventude. Como veio ao mundo a minha mãe, a sua infância, como cresceu. Estranhamente o romance que a trouxe ao mundo foi também o que a destruiu mais tarde. Penso que o teu afastamento causado pela depressão tenham sido fatais para a construção da sua personalidade e forma de agir. Achei-a cruel e corei de vergonha quando me apercebi o quanto me parecia com ela. Viverei de certa forma amargurada para sempre por saber que, tal como a minha mãe, fui tremendamente injusta para contigo. Imagino o teu sofrimento. Peço-te agora desculpa, avó. Mas digo-te também que não somos iguais, eu e a minha mãe. Nunca é tarde demais. Aprendi contigo que a vida não é imutável, que se seguimos uma direcção podemos sempre voltar atrás a meio do caminho. A minha vida era desprovida de sentido, nunca fui melhor na América do que o que fui aqui. Quis fugir, sabes? Quis fazer-te sofrer e mostrar a ti e a mim mesma que não precisava de ti, que tu precisavas mais de mim do que eu de ti. Que tola fui. Foram anos tristes para mim, de puro sofrimento. Não podia voltar, não podia dar a reconhecer o meu falhanço, engolir o meu orgulho. Pensei que não ia sentir a tua falta, se me habituasse à tua ausência nem sequer a tua morte me haveria de custar. Alteraria tudo isso se pudesse. Não posso mudar o passado mas ainda posso alterar o meu futuro. E é por isso que decidi voltar a Itália, vou à América buscar as minhas coisas e voltarei para esta casa. Quando regressar vou ao horto e compro um carvalho que vou plantar no meio do monte. Um carvalho para ti. À medida que escrevo sinto um nervoso miudinho a percorrer-me o corpo. Acredito que seja o meu coração a dizer-me que estou no caminho certo. Vou varrer sempre as folhas no outono e nas tardes de domingo farei um bolo na tua forma e um dia hei-de dá-la à minha filha, assim como as tuas cartas e quando ela me vier dizer, a chorar, que não sabe o que há-de fazer da vida, dirlhe-ei, como tu a mim:

"Fica quieta, em silêncio, e ouve o teu coração.
Quando ele te falar, levanta-te, e vai para onde ele te levar."
Susana Tamaro - Vai Aonde Te Leva o Coração


Post-Script: Terminei hoje de ler o livro supracitado. Fenomenal na minha opinião. Ficou-me, no entanto, um certo vazio por não saber o que faz a neta depois. Dei voltas e voltas a pensar como poderia descobri-lo até que me lembrei que esta história saiu da cabeça de alguém e por isso eu própria podia imaginar um fim. E melhor ainda, o fim que eu quisesse, ou pelo menos uma espécie de epílogo. A escritora, ao não o fazer, dá-nos essa possibilidade a cada um de nós, de imaginar o fim que quisermos. Este foi o que eu imaginei.

Sábado, Outubro 20, 2007

Confissões

Ontem ri-me muito mesmo muito de uma senhora velhinha que ao atravessar a rua abanava a cabeça para cima e para baixo de tal forma que fazia mesmo lembrar aqueles cãezinhos que se põem na parte de trás dos carros. Shame on me!

(ajuda se eu disser que ela não viu porque eu ia dentro do carro?)

Sexta-feira, Outubro 19, 2007

tempo

O natal é daqui a sessenta e tal dias e na boavista já estão montadas as luzinhas apesar de ainda não acenderem. Daqui a sessenta e tal dias quando parece que ainda estamos no verão. Os dias passam mesmo rápido, o natal está à porta daqui a sessenta e tal dias e como pode isso ser possível?

Pelo conteúdo destes três últimos posts acho que, para além de estar postadeira, estou obcecada com o tempo. O tempo de horas e minutos e não o tempo de chuva e sol, apesar de, confesso, andar um bocado farta deste calor. É que saio de casa cedíssimo e está frio e depois fica calor e à noite frio outra vez. E ando eu numa de tira casaco veste casaco continuamente. E pior. Durante o resto do dia numa de acarta o casaco às costas para todo o lado...E para além disso tenho uma camisola de lã nova mesmo linda em casa e não a posso usar por causa do calor. Ao menos posso usar a minha linda vermelha igual à da Zeza igual à da Mariana ( 8 anos amanhã???) ...


Ahhhh e depois de tudo isto lembrei-me:


e tu também!

Bernardo

O Bernardo vai ter amanhã o seu primeiro jogo de Andebol. Está, evidentemente, todo feliz. Chegou na segunda com o equipamento a casa. Todo feliz.
Nós lá vamos estar todos na bancada a ver o menino a jogar, o pai e o avô especialmente atentos, já que o meu pai também foi jogador de andebol. Lá em casa não se fala de outra coisa a não ser de passes picados, chapéus, para os pés, pontas, laterais e pivôs.

O meu irmão que ontem era ainda um bebé vai ter o seu primeiro jogo.

Acho que o mundo começou a girar mais depressa e ninguém deu por isso...

and counting...

A minha bonequinha Carolina faz hoje 6 mesinhos. O Gui fez 3 anos na segunda, a Mariana faz amanhã 8 e o André faz dois meses na próxima terça.

Oh tempo, podias andar mais devagar por favor??

Acho que a luz verde dos peões de um certo semáforo está apaixonada por mim. É que sempre, sempre, SMPRE que vou atravessar nessa passadeira está verde para os peões. E eu passo lá duas vezes por dia e nem sempre à mesma hora, logo, qual a probabilidade de isto acontecer?

A luzinha verde apaixonou-se por mim. Estou feliz.

Quarta-feira, Outubro 17, 2007

24+ 8


Os meses a somar e a felicidade a multiplicar! Exponencialmente.
Agora, radiosamente feliz por te ver todos os dias. Bom demais.


Amo-te.

Exaustão

Pára de pensar. Pára de gritar. Por favor, pára. Pára, estagna, congela-te no ar. Deixa-me respirar, não me agridas, não me tortures mais. Deixa-me ficar aqui, assim, deitada. Não te suporto mais, não consigo olhar-te mais de frente. Não suporto os teus olhos. Amo-te. Deixa-me. Vai-te embora e não voltes. Não me abandones mas deixa-me descansar de ti. Os meus olhos estão cansados de te ver, fazem-no continuamente há anos a fio, precisam de ver outras coisas. Não aguento mais. Morro. Mato-te. Tudo o que tu fazes me causa repulsa, tudo o que tu representas me destrói todos os dias um bocadinho. Não sou nada contigo nem sou nada sem ti. Que raio de existência a minha? Um apêndice perfeitamente dispensável da tua supérflua e perfeita vida. Que represento eu na tua vida afinal? O que sou para ti? Não respires mais para cima de mim. Dói de mais ver-te a olhar para mim dessa forma. Quando foi que nos tornamos perfeitos desconhecidos? Alguma vez fomos algo mais que isso? Uma vida de engano. f-a-r-s-a. Desaparece da minha vida agora. AGORA. Já recuperei, já tenho forças, amo-te e odeio-te com toda a plenitude. Não te quero ver nunca mais. VAI. Sem ti, contigo, sou uma sombra do que poderia ter sido. Um espectro. esfumo-me no ar, vês através de mim. Porque vês através de mim? Não poderias tu por uma vez que fosse na vida olhares e veres quem eu sou? Olha para mim. Olha para mim por favor. Vê-me. Abraça-me. Beija-me. Vai tudo ficar bem, tudo vai ficar bem, tudo vai ficar bem, abraça-me.


"Kiss me, oh kiss me, if that can make it right"

David Fonseca



Aviso à navegação: o label histórias minhas diz respeito a histórias perfeitamente inventadas da minha cabeça sem qualquer semelhança com a realidade. Esta, particularmente, foi inspirada por "Canário", o novo livro de Rodrigo Guedes de Carvalho e mais umas historinhas ouvidas aqui e ali que me têm feito pensar...

Terça-feira, Outubro 09, 2007


Para não deixar passar em branco. Hoje que já posso dizer abertamente que fazes anos:P (perdi na mesma anatomia de grey e perdi, por sua causa senhor Peskas, mas paciencia) .Ontem meu amor, o teu aniversário. O nosso primeiro juntos. O que havia para dizer já foi dito, muito mais há, sabes que sim. Digo-to a ti. Sempre!
Meu amor, muitos parabéns!

Amo-te

Segunda-feira, Outubro 08, 2007

The Pursuit of Happiness


Diferente. Assim se pode classificar o meu dia de anos. Fui ao Douro, a uma quinta. Vindimei, pisei as uvas no lagar,tomei banho de mangueira, comi uvas directamente da videira. Foi giro, divertido e diferente. A festa com a família foi sábado. Cá estiveram, os meus primos todos e tios e avós para a grande brincadeira de sempre. Foi tão giro. O jogo de futebol da praxe, a tertúia cor de rosa entre tias e primas em que o único membro masculino era o pequeno André adormecido no meu colo, mooontes de chocolate e bolos e picanha e cantoria nos parabéns. Bebi uma mini que nunca tinha bebeido nenhuma, sim que isto de fazer 21 anos dá certos privilégios :) A grande grande diferença mesmo é ainda estar cá. Normalmente depois dos meus anos lá abalava eu para terras de nuestros hermanos. Este ano ainda cá estou e é mesmo para ficar. A verdade é que tenho saudades delas e de (alguns) eles, das nossas brincadeiras por lá, dos bons momentos que passávamos. Mas de resto não tenho saudades de nada. Por vezes, confesso, saudades do número de vezes por semana em que eu comia massa. Sim, pronto, ponto fraco, ADORO massa! Em casa quase nunca como massa. Vá lá que esta semana já comi que o meu pai foi um querido e fez uma massa muito boa!! Mas de resto muito peixe se come nesta casa! E salada. Há dias em que pareço um grilo. Os meus dias têm sido parecidos e cheios. Às 11 da noite já estou de rastos e às 7 do dia seguinte já estou a pé outra vez. Mas gosto disto, destas regras que existem, isto de deitar sempre à mesma hora e levantar sempre à mesma também. É saudável. Acontece como sexta, depois, às 9 da manhã e eu já sem soninho nenhum. O meu pai tem ido sempre à net à noite, por isso eu ando mais afastada. É, aqui ainda funciona o modem...Mas ando contente e isso, sim, isso é que realmente importa. Ando contente. Todos os dias almoço com o Daniel e este ano, pela primeira vez na vida, estou com ele no seu dia de anos. Nunca podia estar por ser tão próximo do meu e eu como vinha no meu não podia vir logo no fim de semana seguinte. Todos os dias (salvo raras excepções) janto em casa com os meus pais, vou buscar o Bernardo ao ATL ou à escola ou ao seu treino de andebol, sinto que voltei a ter uma família. Nos meus anos já me diziam que tinha recuperado o meu sorriso e sem dúvida que me tenho sentido mesmo feliz.

Ahh e para deixar registado, dia 4 de Outubro, recebi um catálogo da Yves Rocher que dizia " A Yves Rocher deseja-lhe um Feliz Natal". Perante isto, minhas gentes, só posso dizer que está realmente provado, que depois dos meus anos começa o countdown para o Natal. E mai nada.

E aqui imagino o Peskas e o Daniel a dizer Oh não!

Cabanas 30_09_07 172
eu no lagar