Quinta-feira, Agosto 31, 2006

Amizades de Verão


É o campismo o meu pequeno paraiso à beira mar. Passo lá todos os verões desde que nasci. À medida que fui crescendo fui apreciando os verões cada vez por mais e mais coisas. Se a início era por ter amigos e espaço para brincar, por estar com os meus avós e a minha prima, por ir à praia, fui crescendo e fui dando valor a passeios de bicicleta , à hora do almoço com os meus avós e os seus comentários magníficos, à amizade que existe ao fim destes anos todos com os meus amigos de infância. Não tenho de ficar em casa nas férias, posso ir para aquele parque de campismo que me enche as medidas. Este ano tive de estudar e foi lá o meu refúgio, e naquelas ondas mergulhava para desanuviar a cabeça, naquele mar gelado. Aprecio a companhia dos meus avós e dos meus tios, adoro quando estão lá a Catarina e o Guilherme e quando aos fins-de-semana vão também a Inês e a Francisca. Adoro o campismo, adoro estar lá com a Niná e ficarmos na conversa séculos, tomarmos banho juntas, irmos à praia juntas.

Depois tenho também os meus amigos, os de infância. Aquele grupinho de que não prescindo, as semanas que mais me gozo me dão, aquela em que eles lá estão. O André e a Ana, o Miguel e o António, a Sara e o Tomás. Simplesmente adoro estar com eles. Há ainda as Raqueis e o Ricardo e mais uma cambada de gente, mas com eles sinto-me estupendamente.
Eles são tds primos e irmãos uns dos outros, eu sou apenas e só amiga deles. E como prezo essa amizade. Conhecemo-nos mesmo de pequeninos, conhecemos os feitios uns dos outros, pequenas particularidades da infância. Lembro-me por exemplo de estar a jogar moto racer na playstation e o André a rir atrás de mim com coisas que eu ia dizendo, lembro-me de andar a fugir pelo parque porque o Miguel me queria molhar com uma garrafa de água, lembro-me de mudar fraldas ao António ainda tão pequenino, lembro-me da Ana a dizer faqué, da Sara a dar um tombo com a Niná pelas escadas e do Tomás bebezinho a adormcer no meu colo. São coisas que me marcam e das quais nunca me esquecerei. Agora andamos sempre a mandar bocas, melhor, normalmente eles andam sempre a mandar bocas aqui pó cristo, mas de qualquer forma eu gosto muito deles. Vamos todos para a praia e divertimo-nos à grande, à noite já posso ser eu a gozar, com a azelhice do Miguel a jogar PES5 por exemplo, ou com as tontices que diz o António. Dantes jogávamos às escondidas, agora já não o temos feito. Há muita coisa que se perdeu com o passar dos anos, é normal, todos crescemos, mas eu espero que amizade que temos nunca se venha a perder, e que os mais novos, a nova geração do parque, crie um grupo amigo como o nosso.
Eu a Sara vamo-nos tornando cada vez mais amigas, ela vai crescendo e falamos imenso. De tudo e mais alguma coisa, conversas de raparigas:) Eu gosto imenso deles, mesmo, depois o verão acaba e fica esta nostalgia.

Durante o ano as coisas desvanecem-se sempre como é normal, falamos muito menos, cada qual tem a sua vida fora do parque, mas no verão tudo volta ao que era dantes. Eu tenho um certo medo que aquilo um dia acabe, que os avos de uns ou de outros deixem de ir para lá, por isso aproveito cada ano ao máximo, como se fosse o último. Com ou sem parque espero que a nossa amizade se mantenha para além das fronteiras do verão, eu tento fazer por isso, e quem sabe, talvez um dia os nossos filhos possam ser amigos como nós somos, naquele pequeno paraiso à beira-mar!

Quarta-feira, Agosto 30, 2006

O dia das 23 horas














Quando eu venho para Barcelona, vivo sempre um dia de apenas 23 horas. Porque as 9 se transformam em 10 ou as 10 se transformam em 11. No momento em que decido alterar o relógio para me adaptar à hora local, avanço uma hora não vivida na minha vida e esse dia passa a ter apenas 23 horas. Que é feito daquela hora, aquela hora perdida que eu avanço no relógio, aquela hora que eu não vivo mas que existe algures nos intervalos de um relógio???

Aquela hora é-me devolvida quando regresso a Portugal, no meu dia das 25 horas. No dia em que às 8 eu volto a por 7, ou às 7 volto a por 6, no momento em que me decido alterar o relógio, essa hora é-me deolvida.

Eu regressarei sempre a Portugal, por isso e por muito mais, mas assim as minhas horas andarão sempre certas com a vida, e a vida nunca me ficará a dever uma hora.

Segunda-feira, Agosto 28, 2006

Adeus que me vou embora...


Amanhã lá vou eu... Por esta hora já estarei na minha casa. Sinto essa ansiedade de chegar à minha casa lá, a mesma do ano passado, àquela que vejo como minha. A viagem e a separação são o pior. Mas sei que quando lá chegar, quando já estiver lá dentro, fizer a minha caminha e me deitar a dormir me vou sentir bem. Depois irei às compras abastecer a casa, fazer uma sopinha para uns 3 dias. Estudo nos meus timings, com a pressão necessária pela proximidade dos exames. De noite falo com as pessoas mais importantes da minha vida, vejo um bocadinho de televisão, leio e durmo. Não é assim tão mau, pois não?

Eu própria já o vejo mais cor-de-rosa...

Sei que este ano vai ser diferente, vai ser melhor, a minha atitude é positiva! Muito positiva. Anima-me a entrada de gente nova, de mais portugueses, de jantares, do meu aniversário dentro de um mês, do natal dentro de 4, anima-me o batizado da minha linda Inês e da minha pequena Nicas, anima- me o ainda longe mas cada dia mais próximo 2ºaniversário de namoro, animam-me os meus amigos, os de agora e os de há muitos anos, anima-me o tempo que passa rápido para todos. Tento animar-me hoje na véspera e sinto que estou a conseguir=))))

Lá eu sei que vou ser feliz. O mais que puder. Pelo menos vou tentar...

E dia 20 cá estarei eu de volta

Cá neste Portugal de fado, de pregões no Bolhão, de saudade, de português, de boa comida e de boa gente, nesta terra de boas tradições...neste Portugal do meu Coração, onde moram as pessoas que a ele pertecem...

Barcelona aqui vou eu...Com a mente mais leve, e com o coração apertadiiiinho!

Hasta!
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2 dias

Faltam apenas 2 dias para eu voar daqui para fora. 2 dias para acabar a minha caminha, os meus avós, os meus pais, o meu mano e o meu Dani, 2 dias para ser eu a cozinhar, para sentir a solidão novamente, 2 dias para partir com as malas novamente. O que mais me assusta são os dias que já passaram e que tão depressa se foram, as "férias" que voaram sem saber bem como. Esta é a penúltima noite na minha caminha. O que me vale é que desta vez não é como há um ano atrás, estou calma, apesar de ter o coração bem apertadinho, já sei o que me espera, já sou perita na matéria. E dia 20 estou de volta. E espero vir com a sensação de missão cumprida gozar 12 dias de férias juntos dos meus!
Ai Portugal, meu Portugal...

Quinta-feira, Agosto 17, 2006

18

18 meses de pura felicidade...parece que foi ontem nao é meu amor?

Amo-TE! e MUITO!!

Sexta-feira, Agosto 11, 2006

Pela Brisa da manhã

Pela brisa da manhã ela caminhava, bem cedo à beira mar. Apreciava o silêncio e a calmaria, a ausência de pessoas e de carros, o silêncio esmagador apenas interrompido pelo barulho das ondas a bater na areia. Ela caminhava de sapatilhas, calções e T-shirt e o cabelo atado num totó no topo da cabeça. Já não sabia onde tinha começado, nem sequer sabia onde ia acabar. Caminhava. Apenas. As ondas batiam-lhe nos pés calçados e ela seguia sem parar para descansar. Deixava as pegadas na areia, marcas da sua existência naquele mundo, naquela praia, naquela manhã. As pegadas suas e só suas que o mar encarregava de fazer desaparecer à sua passagem. E ela continuava a marcá-las e o mar a negar a sua existência. O sol ainda tímido mal aparecia no céu. Ela continou a caminhar sem parar saboreando cada passo que dava, cada onda que lhe tocava, cada areia que a invadia. Pela brisa da manhã ela caminhou até ao fim. Um paredão imenso indicava-lhe o fim da praia e da areia e ela não era pessoa de virar para trás. Portanto virou para o lado, mesmo em frente à ténue linha do horizonte e começou a caminhar em direcção a ela. Essa linha infinita e inalcançável. As ondas empurravam-na para fora, a ela, rude invasora do mar, mas nada a demoveria. Caminhou sempre em frente, até começar a nadar. Nadou como caminhava, calma e tranquila a ver aquela linha mais próximo dela e a areia da praia cada vez mais distante. Nadou sempre, sem parar, sem hesitar. Saboreou cada braçada que deu naquele mar gelado. Quando se cansava enroscava-se nas ondas e dormia com os seus embalos, flutuando nesse mar só dela. Depois continuava a nadar. Quando alcançou a linha do horizonte sorriu, saltou por cima dela e seguiu na sua caminhada sob a brisa da manhã.